[1] Em primeiro lugar, o Brasil deve compreender que a Educação Infantil não pode ser apenas um período para brincadeiras e socialização. Para mudar os resultados do PISA, vamos precisar ensinar sistematicamente a consciência fonológica, conhecimento do alfabeto, domínio grafomotor e, especialmente, compreensão do princípio alfabético (letras representam unidades sonoras mínimas da fala). O ensino explícito e estruturado, as atividades progressivas e estruturadas da instrução fônica, motivam as crianças porque, em primeiro lugar, permite que elas compreendam, de fato, o funcionamento do código escrito e, em segundo, que elas aprendam e desenvolvam o sentimento de autoeficácia.
[2] Neurociência e os estudos científicos A neurociência da aprendizagem mostra que o cérebro precisa de segurança emocional e previsibilidade para aprender. Um ambiente instável ou caótico ativa áreas do cérebro ligadas à sobrevivência, como a amígdala cerebral, prejudicando o funcionamento do córtex pré-frontal — justamente onde se processam a atenção, o raciocínio e a tomada de decisão.
Revisões sistemáticas de estudos sobre ambiente escolar (como as publicadas na Review of Educational Research) mostram que salas de aula com normas claras, interações respeitosas e gestão eficiente de conflitos têm melhor desempenho acadêmico coletivo, menor evasão escolar, e maior satisfação tanto de alunos quanto de professores.
[3]Civilidade: a base da convivência e da empatia A civilidade não se ensina com cartazes na parede, mas com exemplos, convivência e espaços reais de diálogo. Estudos com base na abordagem Reggio Emilia e nas Escolas Democráticas mostram que ambientes onde as crianças são tratadas com respeito e têm sua voz considerada, tendem a gerar maior cooperação espontânea e menos necessidade de punições disciplinares. A civilidade é também um antídoto contra o bullying, a exclusão e os conflitos interpessoais. Quando é incorporada na cultura escolar, ela melhora o bem-estar geral da comunidade e, com isso, aumenta significativamente a disposição para aprender.
Estudos do PBIS mostram que os professores reportaram uma redução de comportamentos problemáticos em 80% dos casos, diminuiu a quantidade de vezes que os alunos são expulsos em 24% e ainda teve 34% de queda em taxas de bullying. Nesse contexto, é óbvio que houve também uma melhora significativa nos indicadores acadêmicos e disciplinares das escolas que adotaram o sistema com fidelidade.
Inclusive, uniformes escolares são adotados em muitas redes públicas com objetivos que incluem melhorar a disciplina, reduzir distrações, segurança dos alunos, entre outras coisas, para que a sociedade veja os estudantes como tal. É óbvio que a uniformização não resolve problemas escolares por si só. Mas várias pesquisas mostram[8] que há vantagens na adoção de uniformes: sentimento de pertencimento, aumento de presença, notas (com aumento de participação organizacional e até mesmo foco) e redução de problemas de disciplina. Esse clima de unidade escolar é o alicerce de um bom ensino, e contribui imensamente no código de conduta social que precisa ser adotado.
[4] Adotar um modelo de currículo de Construção de conhecimento (Knowledge-Rich) Os currículos de construção de conhecimento, conhecidos como “knowledge‑rich”, demonstram desempenho mais consistente nas avaliações de conteúdo nos países que os adotaram em comparação com o modelo de currículo baseado em competências (Que é o caso do Brasil). Em Singapura, por exemplo, o país ocupa há décadas a posição de liderança no PISA de Matemática, com média de aproximadamente 575 pontos em 2022 (contra 472 da OCDE), e figura permanentemente entre os primeiros lugares no TIMSS de Ciências e Matemática. Na Inglaterra, por exemplo, a reforma curricular de 2014 adicionou ênfase explícita em conhecimentos mais amplos como fonética, fatos históricos e conceitos científicos, elevando o país do 8.º ao 4.º lugar no PIRLS de leitura infantil em 2021.
[1] A Falácia Socioconstrutivista: Por Que Os Alunos Brasileiros Deixaram De Aprender A Ler E Escrever
[2]DEHAENE, S. (2011). Os neurônios da leitura: como a ciência explica nossa capacidade de ler. POA: ArtMed/Editora Penso. [2]PINKER S. (2004). O Instinto da Linguagem: como a mente cria a linguagem. SP: Martins Fontes.
[3]https://gitnux.org/pbis-statistics/ [3]WILLINGHAM, D. (2021). Crianças Que Lêem: O Que Pais E Professores Podem Fazer Para Ajudar. Campinas: Kírion. [3]https://journalistsresource.org/education/school-uniforms-research-achievement/ https://www.britannica.com/procon/school-uniforms-debate
[4]LITERACY TRUST, 2021 https://literacytrust.org.uk/research-services/research-reports/children-and-young-peoples-reading-engagement-in-2021/#:~:text=Reading%20to%20relax%20was%20one,learning%20new%20words%20(49.8%25).